domingo, 11 de agosto de 2013

Trinta e uma Camilas

São trinta e um anos de vida:
uma vida pra cada ano.
A cada ano, expectativas
mais ou menos compridas,
mais ou menos cumpridas.

São trinta e um anos e poucas rugas.
Poucas, mas muito bem vividas,
marcadas no corpo não como feridas,
tingindo de branco meus longos fios de cabelo.

Trinta e um anos e três cicatrizes:
do carrinho que virou
do portal que despenquei
da primeira volta de mobilete que eu dei, 
na garupa

Trinta e um e não mais trinta
de amigos feitos
de afetos perdidos
de sonhos reconstruídos

Diversas histórias em cada ano.
Muitas esquecidas,
outras selecionadas com cuidado que aprendo em terapia.

Ontem fui criança:
fui paquita da Xuxa,
joguei taco e basquete.
Já fui tiete de astro hollywoodiano e Fafá de Belém.
Queria tocar piano, hoje aprendo violão.
Fui atriz, bailarina e arquiteta.
Às vezes quero ser poeta; "Ora vejam só..." diria minha avó
fui o que eu quis.

E continuo.

Pra cada ano, uma vida.
Pra cada vida sou o que estou sendo.
Sou trinta e uma Camilas.

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