sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Queria saber como os poetas

Queria saber como os poetas de verdade
usar as palavras com precisão,
leveza e intensidade;
dissolver a formalidade, o cálculo;
dizer por inteiro o que se tem vontade.

Queria que a escrita acompanhasse o pensamento,
fosse sua parceira e amante
com as pieguices de um casal apaixonado
e a naturalidade de um gostar gratuito –
e, assim, despertar a inveja das folhas em branco.

sábado, 13 de novembro de 2010

Subindo a serra

Faço a mesma viagem todos os domingos e de passar por aquele caminho tantas vezes já decorei suas curvas, retas e seu ponto final. Toda semana me interiorizo por entre o mar de morros do Vale do Paraíba.
Mas da última vez que subi a serra encontrei uma paisagem diferente: o céu nunca esteve tão azul e a mata nunca tão verde. O contraste entre os dois exibia uma forma inédita para mim, assim como inéditos eram os tons de rosa e cinza que as nuvens refletiam. Não conseguiria descrever o pôr do sol, mas a lua que se insinuava timidamente lembrava o sorriso do gato da Alice.
Pergunto-me como pode a mesma estrada, sem atalhos nem desvios, se tornar outra num instante? Ainda mais depois de tantas vezes percorrida!
Seja o que for, fica a esperança de que, assim como as estradas, toda banalidade possa se transformar em algo sublime diante dos nossos olhos, quem sabe numa piscadela.