A arte de perder - Elizabeth Bishop
A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.
Perca algo a cada dia. Aceita o susto
de perder chaves, e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.
Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.
Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.
Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
terça-feira, 28 de outubro de 2014
A Ostra e o Vento
O mar, do além, ordenou suas ondas a me chamar.
Insistente, num falso remanso, esconde de mim a tormenta
que tanto temeu antigos navegantes.
Digo ao mar: conheço tuas histórias, não tente me iludir.
Entretanto, conheces as minhas?
Sabes dos monstros que habitam essas terras?
Atenta, observo o chamado das ondas
e penso que a terra já não é suficiente pro meu passo errante.
Mergulho fundo e vou seguindo pelo mar
atrás do canto da sereia.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
sábado, 11 de outubro de 2014
Escrever é preciso, falar também.
Escrevo sobre o amor porque palavra falada exige manejo que ainda me escapa.
Não me ensinaram a cartilha do verbo soltar, desprender.
Assim, carrego (di)versos sentimentos
da ponta do pé
até
o nó da garganta.
Agora, em avançado tempo, percebo a escrita como remédio que alivia os males de uma vida inteira
expelidos, forçosamente, na tosse de paixões ressecadas e dissecadas pela memória.
Purifico meu peito, aos poucos, e exercito a falação.
Escuto com encantamento de bebê os primeiros sons de saltitantes acordes
boca afora.
Sim, eu também falo.
À despeito dos ouvidos desatentos,
dos julgamentos de juízes reais e imaginários,
do machismo mofado que insiste em emudecer a voz do ser Mulher.
(Di)versifico, sinto, escrevo, fora de qualquer ordem, sobre o amor e outros demônios.
E solto no vento.
Não me ensinaram a cartilha do verbo soltar, desprender.
Assim, carrego (di)versos sentimentos
da ponta do pé
até
o nó da garganta.
Agora, em avançado tempo, percebo a escrita como remédio que alivia os males de uma vida inteira
expelidos, forçosamente, na tosse de paixões ressecadas e dissecadas pela memória.
Purifico meu peito, aos poucos, e exercito a falação.
Escuto com encantamento de bebê os primeiros sons de saltitantes acordes
boca afora.
Sim, eu também falo.
À despeito dos ouvidos desatentos,
dos julgamentos de juízes reais e imaginários,
do machismo mofado que insiste em emudecer a voz do ser Mulher.
(Di)versifico, sinto, escrevo, fora de qualquer ordem, sobre o amor e outros demônios.
E solto no vento.
Assinar:
Postagens (Atom)