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terça-feira, 25 de agosto de 2026

O tempo das coisas

Esses dias fiquei pensando em quando comecei a praticar a escrita poética e porque tive essa vontade. É interessante desnaturalizar algo presente em nós e colocar em perspectiva, tenho revisitado memórias por conta disso e aprendido mais sobre mim. A escrita de uma maneira reflexiva entrou na minha vida pela via acadêmica. A formação em História me exigiu, além de um grande volume de leitura, a prática frequente da redação de textos. Foram inúmeros fichamentos de livros, trabalhos feitos à mão numa época em que o computador ainda não era predominante (sim, aqui revelo a minha idade), provas discursivas, relatórios de pesquisa, monografia, dissertação e tese. Tenho duas recordações desse período que valem ouro, de vez em quando recorro ao relicário do que me constitui para acessá-las. A primeira foi uma conversa que tive com uma professora muito querida da graduação, numa vista de prova. Ao ir questionar minha nota acreditando que tinha acertado uma determinada questão, ela me pediu que explicasse oralmente. O que ouvi dela parece óbvio hoje em dia, mas para uma aluna em formação significou um divisor de águas. Foi mais ou menos assim: “Camila, a dificuldade é colocar no papel exatamente aquilo que pensamos”. Dali em diante eu entendi a escrita como um ofício, um trabalho delicado de buscar as palavras certas. Em um período posterior, na defesa do meu doutorado, outra professora que é uma referência para mim disse que eu escrevia muito bem, com fluidez, que a minha escrita se destacava diante dos textos truncados lidos por ela ultimamente. Ainda assim ela chamou atenção para o tempo, era preciso aprofundar. Essa é a segunda lembrança preciosa, a que ainda está aberta. Fiquei extremamente feliz com o elogio, mas, se por uma lado percebi que estava caminhando no ofício da escrita, que a palavra no papel conseguia acompanhar o pensamento, também entendi que havia falta. E essa falta extrapola os limites de um trabalho acadêmico, expondo aquilo que representa um emaranhado na minha vida: o tempo das coisas. Não sei definir desde quando vem a sensação de estar correndo atrás de algo. Sair do interior, terminar os estudos, conseguir um trabalho, dar conta do trabalho, pagar boletos, burocracias, o relógio biológico para ser mãe, o prazo para cuidar de doença, e por aí vai. Nessa longa corrida o tempo foi um vilão, sinto que em muitas questões deixei a profundidade ficar para trás. A urgência parece que chegava em primeiro lugar sabotando a atenção que certas partes mereciam. Ao começar a enfrentar esse emaranhado fui encontrando na escrita poética uma ferramenta de compreensão de mim mesma e da vida. Tinha referências próximas em casa, desde meu pai, um poeta amador, até minha irmã, uma escritora com livros publicados por editoras reconhecidas. Alguns amigos também foram inspiração. Passei pela fronteira da academia e comecei a escrever uma crônica aqui, uns versos ali, cheguei a criar um blog ainda sem perceber até onde a prática da escrita poderia me levar. E mais uma vez as urgências... mudei a direção deixando tudo de lado. Pois bem, aqui estou novamente, segurando as palavras em minhas mãos. Como aquela aluna da graduação que pegou a letra, que passou a confiar na potência da sua escrita, sigo usando e abusando dessa prática para lidar com o emaranhado ainda incompreensível dentro de mim. Talvez seja agora o tempo de entender o tempo das coisas.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Passageiro

Da janela do ônibus vejo
as flores no quiosque da esquina,
gente passando de um lado para o outro
atravessando a rua, olhos atentos,
casas antigas e prédios modernos,
varandas apagadas e um horizonte que se perde
Gosto de ver o ciclista pedalando aparamentado,
capacete e joelheira,
indo determinado para um lugar desconhecido
passando em frente à padaria:
vitrine de confeitos amarelos, vermelhos e chocolates;
o avô carregando, ao mesmo tempo,
o neto e o pacote de pão

O ônibus freando lentamente sinaliza o desfile dos pedestres
Carrinho de compras, carrinho de bebê empurrado pela mãe,
gente sozinha, gente de mão dada, gente conversando;
garotos fazendo malabarismo com a vida
– isso eu não gosto de ver, mas é preciso

Ônibus partindo
Motorista seguindo o itinerário;
eu e meus pensamentos sem rumo
Dou o sinal, hora de descer e me incluir na paisagem.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Impressões sobre o carnaval

Faz tempo que não escrevo outra coisa que não seja sobre cachaça, escravizados e o Brasil no século XIX. Aliás, meu conhecimento teórico (veja bem, teórico) em relação à “malvada da pinga” só tem aumentado. Entretanto, não sou uma grande apreciadora da bebida. No campo do álcool meu negócio é uma cervejinha gelada de vez em quando. E bem de vez em quando mesmo, pois recentemente respondi um questionário que minha irmã arrumou – esses testes de psicologia pra calcular níveis de ansiedade, pânico etc – e, espantosamente, o meu consumo de álcool foi apontado em estado de alerta! Bom, já tinha resolvido durante as férias de janeiro que só voltaria a beber no carnaval e, à exceção de uma ou duas latinhas, mantive minha promessa de pé.
Mudando de assunto, já que o efeito do álcool na minha vida não é a temática desse texto – pelo menos não foi a intenção inicial (... seria isso um indício do excesso?) – quero escrever um pouco sobre o carnaval, especificamente o meu carnaval.
Mais um ano que acompanho os blocos de rua do Rio de Janeiro. Dessa vez a produção das fantasias foi uma diversão à parte: passeio no saara quinta e sexta, correndo atrás de acessórios e maquiagens coloridas, pesquisa de preço etc.; investimento pesado pra aproveitar os dias de folia. Tudo certo.
Comecei a farra, então, no sábado: bloco do Barbas, em Botafogo. Nosso bloco dentro do bloco, o Barbie de Barbas, foi um sucesso pela segunda vez consecutiva. Ideia original de Vanessa Brunow, a fantasia consiste em brincar com a delicadeza (pra não dizer frescura) da imagem da boneca com a barba grosseira, símbolo do bloco em questão. E lá fomos nós, um grupo de mulheres vestidas de rosa, com tiara na cabeça e uma barba irritante que coçava o nariz o tempo todo. Arrasamos! Agora já posso dizer que tive meus quinze segundos de fama, mas na verdade o assédio durou o tempo em que o bloco estava na rua. Entre uma foto e outra, um gracejo: “mulher de bigode nem o diabo pode”! Uma farra só! Todas nós ali, felizes, com o nosso bloco dentro do bloco.
A maratona recomeçou no domingo de manhã com o Boitatá. Acordei cedo por causa do horário marcado para a saída do bloco. Vesti minha fantasia de camponesa “romântica” e fui. Já de saída uma flor ficou no asfalto da Amaral Peixoto, pois tive que correr pra pegar a barca das 10h. Trágico... fiquei triste porque a flor dava um charme na fantasia. Mas isso não podia tirar a animação da festa: improvisei um arranjo e parti com minha cestinha de flores rumo à praça XV. Tanto esforço pra pouco resultado: bloco cheio, furto na multidão (levaram a carteira e o celular de um amigo), dor na coluna, de camponesa virei jardineira-vendedora de flores (por causa da cestinha que abandonei no meio do caminho), desencontro com amiga e mal estar generalizado. Às 14h já estava em casa de banho tomado e barriga cheia. Primeiro estranhamento do carnaval: como posso não estar na rua no segundo dia de folia? Não sei, mas não achei ruim. Fiquei a tarde toda entregue ao sofá e à tv a cabo. Consolando-me, pensei: ainda tenho tempo para aproveitar os blocos.
Raiou o céu nublado da segunda e com ele a esperança de um dia mais animado. Dessa vez a cerveja seria bem vinda pra garantir a disposição para pular de um bloco a outro. Partimos rumo ao Sargento Pimenta, mas não conseguimos encontrar a banda. Tranqüilo. Bloquinho cult que não me interessava muito. Decidimos ir direto pra Copacabana e esperar pacientemente o Rancho Flor do Sereno – a flor do carnaval. Viagem tranqüila de ônibus, descemos no posto 4 que ficava distante a dois postos do palco. Mais uma vez o álcool em minha vida: de ambulante a ambulante, nos entregamos à euforia ilusória da bebida. Bloco na rua, tudo lindo e maravilhoso. É realmente um repertório especial dessa bandinha (no sentido carinhoso). Mas... como tudo tem seu preço, lembro partes de coisas tristes e partes de coisas felizes. O enredo completo ficou na beira da praia. Na volta pra casa o segundo estranhamento: qual o sentido dessa festa? (levem em consideração o efeito do álcool, nesse caso, claro). Fui com a cabeça à mil.
Terça, último dia. Confesso que já estava esgotada fisicamente e emocionalmente com a maratona. Não sei como o momo pode ser representado por uma figura gordinha com esses carnavais de hoje em dia. Tem que ter muita disposição! E nem sei se antigamente era diferente... enfim. Saí de casa com a injeção de ânimo de minhas amigas que apelaram dizendo que era o último dia e que depois disso só no ano que vem. Terceiro estranhamento: temos mesmo que “pular” o carnaval do início ao fim? Temos! – foi o que elas disseram. Graças a elas pude ver a beleza da Orquestra Voadora no MAM, um espetáculo de bloco.
Quarta-feira de cinzas: fim de festa. Acordei mais de ressaca moral do que qualquer outra coisa e tentei colocar as ideias em ordem. Li e ouvi muitas críticas em relação ao carnaval de rua do Rio: tá ficando cheio demais, playboyzada solta, blá, blá, blá. Concordo que o perfil dos foliões tenha mudado um pouco (passo o carnaval no Rio desde 2006, se não me engano), mas não acho isso necessariamente ruim. No mínimo, a situação mostra que as pessoas estão buscando algo diferente das cordas, dos abadás padronizados e das músicas pasteurizadas. Nada se compara à beleza simples das marchinhas, à criatividade das fantasias e a sensação de viver num mundo de faz de contas em que você pode ser quem você desejar – um vampiro, um pierrô, um palhaço – nesses dias o diferente é aquele que anda à paisana. Em relação à playboyzada, o Rio está cheio deles e delas também, se vier gente de fora com esse perfil vai encontrar algum bloco que se identifique.
Para mim, o melhor do carnaval foi justamente esperar por ele. Desde o final do ano passado fui a alguns ensaios do Escravos da Mauá, no famoso largo da Prainha. Também dei um pulinho no Beco do Rato que, infelizmente, agora cobra pra entrar e tem fitinha de boate no pulso. A abertura do carnaval foi outra maravilha, no dia 9 de janeiro (acho). Nesse tempo pude apreciar cada momento com calma, sem exaustão, na companhia de bons amigos. Fui aos poucos me aquecendo pra grande festa, a mais esperada, mas que no final não foi tão boa como imaginava.
Dos estranhamentos que tive (1. Como não estou na rua em dia de carnaval?; 2. Qual o sentido do carnaval?; e 3. Temos que participar do início ao fim?) até agora obtive poucas respostas. Uma delas é que não tive a mesma disposição dos anos anteriores: a ideia de passar o dia inteiro pulando de bloco em bloco, entrar na muvuca e ficar em pé boa parte do tempo me assustava profundamente. Mesmo com o estranhamento de estar em casa no domingo, sendo eu tão dedicada à causa carnavalesca, resolvi encarar o fato de que nossas vontades mudam e pronto, sem problema. Sobre o sentido do carnaval, isso ainda é um mistério para mim, mas recorro às palavras de um amigo que certa vez escreveu se referindo a ele como um “louvor frenético a alegria vã; O deus do homem moderno”. Relendo agora, faz todo sentido. Foi exatamente uma das impressões que tive durante esses quatro dias. Talvez uma das razões de tamanho vazio seja a lógica de romper a órbita, quebrar a rotina, o que tira um pouco nossos pés do chão. O porque ou a necessidade de embarcarmos nesse carro desgovernado eu não sei. O que sei é que fui uma passageira sem estar convicta de que queria estar ali.
Passageira num carro desgovernado. Sem perceber acho que resumi o turbilhão de pensamentos que varriam minha cabeça. É uma dúvida se no próximo ano pendurarei a sapatilha, mas hoje busco algo que substitua a alegria vã, as sensações efêmeras. Prefiro o carnaval do ano inteiro, sereno, com um encanto diferente ao daquela flor que desabrochou segunda-feira de carnaval, nas areias de Copacabana.

sábado, 13 de novembro de 2010

Subindo a serra

Faço a mesma viagem todos os domingos e de passar por aquele caminho tantas vezes já decorei suas curvas, retas e seu ponto final. Toda semana me interiorizo por entre o mar de morros do Vale do Paraíba.
Mas da última vez que subi a serra encontrei uma paisagem diferente: o céu nunca esteve tão azul e a mata nunca tão verde. O contraste entre os dois exibia uma forma inédita para mim, assim como inéditos eram os tons de rosa e cinza que as nuvens refletiam. Não conseguiria descrever o pôr do sol, mas a lua que se insinuava timidamente lembrava o sorriso do gato da Alice.
Pergunto-me como pode a mesma estrada, sem atalhos nem desvios, se tornar outra num instante? Ainda mais depois de tantas vezes percorrida!
Seja o que for, fica a esperança de que, assim como as estradas, toda banalidade possa se transformar em algo sublime diante dos nossos olhos, quem sabe numa piscadela.

domingo, 10 de outubro de 2010

Ser Invisível

Não me reconheço mais: esse corpo largo não é meu, nem esse sorriso amarelo. Não consigo ver parte minha nas pessoas ao meu redor, também não vejo parte delas em mim. Sou um todo indefinido.
Caminho sem rumo, estranhamente. Por sorte, encontro pistas que remetem a lugares conhecidos. O último ponto da praia: estou em casa. Agradeço ao motorista - que diz não dar moleza pra patrão - e sigo.
As coisas que identifico não fazem parte do agora, são sombras do que vivi, pertencem a outro tempo. Entretanto, elas me conferem alguma direção ainda que passageira, pois não estou aonde gostaria de estar.
Pergunto com minha boca sem voz como me enxergar nesse tempo? Como reconhcer no outro o que o meu próprio espelho não reflete?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O texto dos meus sonhos

Ultimamente, para mim, tudo parece motivo para um bom texto, mais pelo encantamento do objeto do que pela minha capacidade de escrever bem. Pelo menos eu tento. E isso já é um avanço.
Quase nunca sento em frente ao computador para desenvolver aquele assunto interessante que vinha pensando no ônibus ou na rua. Em casa a preguiça e o peso do trabalho me consomem. Mesmo assim as ideias ficam rodopiando em minha cabeça e a vontade de escrever sobre elas vai ganhando espaço. É tão forte que de vontade vira necessidade e, uma vez não satisfeita, acaba pesando como uma obrigação.
Sinto-me obrigada, então, a escrever sobre o que ainda não escrevi. É como se fosse uma maneira de aquietar as ideias, uma espécie de aviso: “olha, não me esqueci de vocês”.
Tenho anotado na agenda temas que gostaria de explorar. No computador reservo alguns textos pela metade. Todos esperam por um pouco de atenção.
Desejo realmente corresponder a tamanha expectativa, mas, como sempre, deixarei para depois. Dessa vez é o sono que me consome. Boa noite.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

28 anos

Certas datas são comemoradas com toda pompa que a tradição recomenda e por isso serão sempre lembradas: o primeiro ano de vida de uma criança, o baile da debutante, a maioridade e assim sucessivamente. Hoje eu quero falar dos meus 28 anos, pois mesmo sem carregar tradição alguma essa data ficará marcada como uma das comemorações mais bonitas que eu já tive.
A comemoração dos meus 28 anos não foi em salão alugado, não teve dj e convite antecipado. Não, nada disso. Nem eu sabia que seria convidada para os meus 28 anos.
Chega um momento que a gente percebe que todo aniversário é a mesma coisa. Pessoas ligam desejando felicidades, alguns cobram um bolo para cantar “Parabéns pra você”, os mais próximos dão “uma lembrancinha”, os mais distantes cumprimentam por educação e outros até surpreendem pela atenção concedida. Há também aqueles que esquecem completamente e não mandam nem uma mensagem pelo orkut. Entra ano e sai ano, tudo igual. Isso não significa que devemos deixar de comemorar. A questão é: comemorar o quê? Justamente. Essa é a questão.
Quando acordei com 28 anos completos percebi que seria mais um aniversário burocrático. Preparei o espírito para agradecer os muitos parabéns que receberia ao longo do dia. Fiquei um pouco triste por ser uma terça-feira, já que os amigos estariam ocupados e não poderiam comemorar comigo, totalmente compreensível. A família também estava longe.
Almocei um miojo porque não tive tempo de comprar nada especial para o cardápio, e nem ânimo para preparar um prato elaborado depois de passar a manhã inteira na rua resolvendo pendências, num calor insuportável. Mas, afinal de contas, era um dia normal como todos os outros. Não tinha problema comer miojo no aniversário.
Resolvi limpar o quarto e lavar roupas – tarefas normais para um dia normal (quer dizer, só para aqueles que não têm quem as faça no seu lugar, claro!). Depois de tudo feito, um bom banho para relaxar e sentar em frente ao computador para adiantar um ou outro trabalho.
Pois bem.
Alguma coisa começou a mudar no meu dia que passava em branco. Saí do banho e qual a minha grata surpresa? Um apetitoso bolo de chocolate com granulado estava sobre a mesa à minha espera – todinho pra mim! Ao mesmo tempo um cheiro de cachorro-quente pairava no ar enquanto cozinhava na panela. Comi dois cachorros depois de pronto e cantei “parabéns” antes do bolo de chocolate. Fiquei realmente feliz com a comemoração dos meus 28 anos em minha casa, tudo por conta das minhas companheiras de apartamento.
Depois disso, dirigi-me ao computador como havia planejado para o restante da noite. Tudo ia bem até que mais uma pendência bagunçou o meu sossego. Precisava resolver um problema de trabalho com uma amiga, urgentemente. Já estava de pijama e com uma preguiça enorme de sair de casa. Não tinha jeito, tinha que ir. Ela ainda disse:
- Desculpa, eu sei que é seu aniversário...
Tudo bem, não estava fazendo nada de muito importante. Coloquei uma calça e fui. No caminho pensei que talvez fosse uma armadilha para uma festa surpresa – será? Claro que não! Que inocência a minha achar que poderia ser uma coisa dessas! Isso é coisa do tempo da graduação quando ninguém tinha muito o que fazer. Ô, tempo bom! É trabalho, com certeza. A vida está séria e os prazos estão apertados. Além do mais é terça-feira, todo mundo está trabalhando.
Desci do ônibus. Cheguei ao prédio e pedi que avisasse pelo interfone que estava subindo. Lá em cima a porta estava entreaberta me esperando. Bati e entrei sem cerimônia. Tudo estava escuro e silencioso. De repente ouço: “Parabéns pra você...” de novo.
Comi outro cachorro-quente e mais uma fatia de bolo de chocolate, dessa vez um rocambole, na verdade. Conversamos, rimos, trocamos, confidenciamos. E voltei pra casa ainda mais feliz.
Num dia comum, sem planejar coisa alguma que não fosse ficar em casa e cumprir algumas tarefas domésticas, tive duas festas, dois bolos, duas panelas de cachorro-quente, dois “Parabéns pra você” e mais de dois amigos festejando comigo. Foi justamente isso que eu comemorei nos meus 28 anos.