sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Aviso

Tenha cuidado com as palavras.
Palavra tem peso, tem que ser medida.
Toda palavra dita, mesmo sem pensar,
passa a ser sentida.

Palavra é delicadeza,
pluma de algodão que o vento leva
com ou sem destino.
Expelida feito lava de vulcão
ela queima, destrói e fere;
vira desatino.

Mas, se a palavra não espera,
quando o verbo atropela a reflexão,
melhor que tudo seja dito;
desata os nós do coração.

Só não esqueça que palavras têm peso
e que a estupidez se resolve com apenas uma: perdão.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Poema apressado

Este poema apressado não passa de um peso descarregado
dentre outros
de reconhecida força e gravidade.

Pois de tudo resolvo: contas, trabalhos, prazos, necessidades.
Só não saio ilesa ao enfrentar isso que me espreme o peito,
contrariando vontades;
estanca corredeiras com invisível barreira de blocos de concreto.

Assim é a saudade.
Entremeia-se em qualquer canto de pensamento que se encontre vazio,
instala-se silenciosa e grita,
seja noite, tempo de estio.

Este poema erradio não passa de uma tentativa de desapego.
Se desse peso não consigo me soltar,
encontro um meio-fio e rabisco estas palavras

- caso contrário a saudade me mataria.
Mas, antes a poesia.
Sim, antes a poesia
e depois acreditar que tudo se transforma em leve sossego.