O coração míngua
junto com a lua
que do céu já não brilha
como na semana passada.
Voa passarada,
inverte maré,
muda o vento.
A natureza segue
se refazendo.
Mas aqui no peito,
pelo pouco que se tem feito,
sobra quase nada.
sábado, 25 de novembro de 2017
domingo, 15 de outubro de 2017
Pra chuva que cai sem pressa
A natureza tem seu próprio tempo.
O vento que leva a semente,
a semente que germina,
a morte que leva gente
é a vida que a gente leva e termina.
Palavras também têm o seu momento,
não brotam do nada.
Sábio é quem busca conhecer o florescimento da matéria viva e,
em cada estação,
colhe o melhor do que se pode provar.
O vento que leva a semente,
a semente que germina,
a morte que leva gente
é a vida que a gente leva e termina.
Palavras também têm o seu momento,
não brotam do nada.
Sábio é quem busca conhecer o florescimento da matéria viva e,
em cada estação,
colhe o melhor do que se pode provar.
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Cabo de guerra
Nessa maratona sem plateia
o coração salta quando te vejo.
E eu que tanto contive o desejo
finco o pé no chão e já não fujo da disputa.
Depois do salto o cabo de guerra,
um de cada lado no ensejo.
A corda é elo que une e fere,
puxa, avança, cede e luta.
o coração salta quando te vejo.
E eu que tanto contive o desejo
finco o pé no chão e já não fujo da disputa.
Depois do salto o cabo de guerra,
um de cada lado no ensejo.
A corda é elo que une e fere,
puxa, avança, cede e luta.
Dúvidas
Como se esgota a ideia
que inunda as vagas da noite,
que dá sentido ao dia,
habita salas e quartos,
percorre ruas vazias?
Como fazer esquecimento
com tanta matéria viva,
enquanto o pensamento cria
atalhos que voltam ao ponto,
– ao mesmo ponto de partida!? –
sem fuga, sem rota de emergência,
sem placa que indique a saída?
Como secar o pranto
que brota de dor antiga,
a mesma dor sentida
no colo de qualquer mãe
ou ainda em sua barriga,
que nenhuma outra pessoa,
nem mesmo a dita mãe
é capaz de cessar?
Quem souber a resposta diga:
o sentido de toda a vida,
as vias para todas as saídas
e o remédio que a qualquer dor alivia.
que inunda as vagas da noite,
que dá sentido ao dia,
habita salas e quartos,
percorre ruas vazias?
Como fazer esquecimento
com tanta matéria viva,
enquanto o pensamento cria
atalhos que voltam ao ponto,
– ao mesmo ponto de partida!? –
sem fuga, sem rota de emergência,
sem placa que indique a saída?
Como secar o pranto
que brota de dor antiga,
a mesma dor sentida
no colo de qualquer mãe
ou ainda em sua barriga,
que nenhuma outra pessoa,
nem mesmo a dita mãe
é capaz de cessar?
Quem souber a resposta diga:
o sentido de toda a vida,
as vias para todas as saídas
e o remédio que a qualquer dor alivia.
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Mercado das carnes
No mercado de carne humana
leva mais quem fraciona
ou fraciona quem leva mais?
Eu sou feita de carne, osso,
alma e coração – diz a mulher.
– Não sou metade nem parcela,
e nem de Adão sua costela. Sou toda
e várias numa só. Um todo
que grita,
um todo que arde,
um todo que prosa
em liberdade. Não me venham fracionar
pra atender tuas vontades!
O corpo que retorce de desejo
também se faz,
de ponta a ponta,
nó.
E no varejo do afeto
enquanto prevalece o corte
melhor seguir os antigos:
sorte é ser inteira,
antes só que incompleto.
leva mais quem fraciona
ou fraciona quem leva mais?
Eu sou feita de carne, osso,
alma e coração – diz a mulher.
– Não sou metade nem parcela,
e nem de Adão sua costela. Sou toda
e várias numa só. Um todo
que grita,
um todo que arde,
um todo que prosa
em liberdade. Não me venham fracionar
pra atender tuas vontades!
O corpo que retorce de desejo
também se faz,
de ponta a ponta,
nó.
E no varejo do afeto
enquanto prevalece o corte
melhor seguir os antigos:
sorte é ser inteira,
antes só que incompleto.
terça-feira, 11 de julho de 2017
Esquecimento
No exercício de esquecimento
caminho em círculos em busca da reta fora da curva,
sou um sedento a espera da água da chuva
sentado na beira do mar.
E na miragem da sede que não cessa
é o teu nome que eu chamo.
Não me amas, ainda te amo.
Conjugação que não fecha,
ponto fora da reta,
sede d’água de chuva.
Fico no mesmo lugar.
caminho em círculos em busca da reta fora da curva,
sou um sedento a espera da água da chuva
sentado na beira do mar.
E na miragem da sede que não cessa
é o teu nome que eu chamo.
Não me amas, ainda te amo.
Conjugação que não fecha,
ponto fora da reta,
sede d’água de chuva.
Fico no mesmo lugar.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Poema do adeus
Todos os poemas foram escritos pra você,
até aqui.
Até aqui, todos os poemas têm você nas entrelinhas.
Estou farta de você em tanta poesia.
Daqui pra frente os meus versos serão livres,
serão livres os meus verbos,
os meus gestos, tudo.
Decreto que libertarão de ti
os meus afetos.
Nem raiva e nem saudade.
Mais essa linha e nenhuma outra além.
Despeço-me de ti agora,
por aqui
e até aqui.
Adeus.
até aqui.
Até aqui, todos os poemas têm você nas entrelinhas.
Estou farta de você em tanta poesia.
Daqui pra frente os meus versos serão livres,
serão livres os meus verbos,
os meus gestos, tudo.
Decreto que libertarão de ti
os meus afetos.
Nem raiva e nem saudade.
Mais essa linha e nenhuma outra além.
Despeço-me de ti agora,
por aqui
e até aqui.
Adeus.
Assinar:
Postagens (Atom)