Como se esgota a ideia
que inunda as vagas da noite,
que dá sentido ao dia,
habita salas e quartos,
percorre ruas vazias?
Como fazer esquecimento
com tanta matéria viva,
enquanto o pensamento cria
atalhos que voltam ao ponto,
– ao mesmo ponto de partida!? –
sem fuga, sem rota de emergência,
sem placa que indique a saída?
Como secar o pranto
que brota de dor antiga,
a mesma dor sentida
no colo de qualquer mãe
ou ainda em sua barriga,
que nenhuma outra pessoa,
nem mesmo a dita mãe
é capaz de cessar?
Quem souber a resposta diga:
o sentido de toda a vida,
as vias para todas as saídas
e o remédio que a qualquer dor alivia.
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