No quarto, com a casa vazia, a dor me espreme
“Por onde andava? Estava sumida” – eu pergunto.
E ela diz “por aí...”
Volto ao trabalho, penso nos prazos,
tento arrumar um assunto.
E ela, um rio silencioso que corre perene,
sussurra irônica ao pé do ouvido:
- viva e seja feliz, mesmo sabendo que habito em ti.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
Trinta e uma Camilas
São trinta e um anos de vida:
uma vida pra cada ano.
A cada ano, expectativas
mais ou menos compridas,
mais ou menos cumpridas.
São trinta e um anos e poucas rugas.
Poucas, mas muito bem vividas,
marcadas no corpo não como feridas,
tingindo de branco meus longos fios de cabelo.
Trinta e um anos e três cicatrizes:
do carrinho que virou
do portal que despenquei
da primeira volta de mobilete que eu dei,
uma vida pra cada ano.
A cada ano, expectativas
mais ou menos compridas,
mais ou menos cumpridas.
São trinta e um anos e poucas rugas.
Poucas, mas muito bem vividas,
marcadas no corpo não como feridas,
tingindo de branco meus longos fios de cabelo.
Trinta e um anos e três cicatrizes:
do carrinho que virou
do portal que despenquei
da primeira volta de mobilete que eu dei,
na garupa
Trinta e um e não mais trinta
de amigos feitos
de afetos perdidos
de sonhos reconstruídos
Diversas histórias em cada ano.
Muitas esquecidas,
outras selecionadas com cuidado que aprendo em terapia.
Ontem fui criança:
fui paquita da Xuxa,
joguei taco e basquete.
Já fui tiete de astro hollywoodiano e Fafá de Belém.
Queria tocar piano, hoje aprendo violão.
Fui atriz, bailarina e arquiteta.
Às vezes quero ser poeta; "Ora vejam só..." diria minha avó
fui o que eu quis.
E continuo.
Pra cada ano, uma vida.
Pra cada vida sou o que estou sendo.
Sou trinta e uma Camilas.
Trinta e um e não mais trinta
de amigos feitos
de afetos perdidos
de sonhos reconstruídos
Diversas histórias em cada ano.
Muitas esquecidas,
outras selecionadas com cuidado que aprendo em terapia.
Ontem fui criança:
fui paquita da Xuxa,
joguei taco e basquete.
Já fui tiete de astro hollywoodiano e Fafá de Belém.
Queria tocar piano, hoje aprendo violão.
Fui atriz, bailarina e arquiteta.
Às vezes quero ser poeta; "Ora vejam só..." diria minha avó
fui o que eu quis.
E continuo.
Pra cada ano, uma vida.
Pra cada vida sou o que estou sendo.
Sou trinta e uma Camilas.
domingo, 19 de maio de 2013
Merecimento
Merecimento é qualidade de quem merece
Mereces o tempo que te gasto em pensamento?
Ou o pensamento de que te gosto?
...gosto? Gosto, não. Amo.
Será que você merece?
Mereço que permaneças em minha lembrança desse jeito, docemente,
com o amargo da distância provocada? Da presença rejeitada?
Rejeitas? Então que seja de corpo e alma, por inteiro,
da mesma forma como se ama.
Cada qual responda pelo seu merecimento: o que mereço?
O que mereces?
Mereces o tempo que te gasto em pensamento?
Ou o pensamento de que te gosto?
...gosto? Gosto, não. Amo.
Será que você merece?
Mereço que permaneças em minha lembrança desse jeito, docemente,
com o amargo da distância provocada? Da presença rejeitada?
Rejeitas? Então que seja de corpo e alma, por inteiro,
da mesma forma como se ama.
Cada qual responda pelo seu merecimento: o que mereço?
O que mereces?
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
O grito
Em todo espaço meu grito não cabe.
Minha garganta não mais se irrita
com o disco arranhado.
Virei o lado;
quem sabe, outra vez,
possa eu entoar um samba?
Mas você insiste, ressurge
e me desordena num choro engasgado.
Dia após dia, o velho lamento
dos desencontros à falta de tempo,
das escolhas tristes do nosso passado.
No fim, o que arranha é o não dito.
Se a vontade de soltar um grito
não cala, agora escrevo:
– saudade!
Minha garganta não mais se irrita
com o disco arranhado.
Virei o lado;
quem sabe, outra vez,
possa eu entoar um samba?
Mas você insiste, ressurge
e me desordena num choro engasgado.
Dia após dia, o velho lamento
dos desencontros à falta de tempo,
das escolhas tristes do nosso passado.
No fim, o que arranha é o não dito.
Se a vontade de soltar um grito
não cala, agora escrevo:
– saudade!
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Conselho
Não perca seu tempo.
Olha, os dias caminham a passos largos
e a vida, apressada em invisíveis ponteiros,
não anuncia quando é fim do mundo
[e se o fizer, será tarde demais]
Veja bem, ignore essas gentes mesquinhas
que não têm coerência
que não têm crítica nem autocrítica
que não têm verdade
que não têm deus.
Pois não adianta vomitar salmos
se o amor não transborda o coração.
Dê adeus.
Desprenda-se,
livre-se de tudo que é atraso de vida.
e lembre-se: os dias seguirão caminhando a passos largos
e o mistério pode ser revelado a qualquer instante,
sem aviso prévio.
Olha, os dias caminham a passos largos
e a vida, apressada em invisíveis ponteiros,
não anuncia quando é fim do mundo
[e se o fizer, será tarde demais]
Veja bem, ignore essas gentes mesquinhas
que não têm coerência
que não têm crítica nem autocrítica
que não têm verdade
que não têm deus.
Pois não adianta vomitar salmos
se o amor não transborda o coração.
Dê adeus.
Desprenda-se,
livre-se de tudo que é atraso de vida.
e lembre-se: os dias seguirão caminhando a passos largos
e o mistério pode ser revelado a qualquer instante,
sem aviso prévio.
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