Em todo espaço meu grito não cabe.
Minha garganta não mais se irrita
com o disco arranhado.
Virei o lado;
quem sabe, outra vez,
possa eu entoar um samba?
Mas você insiste, ressurge
e me desordena num choro engasgado.
Dia após dia, o velho lamento
dos desencontros à falta de tempo,
das escolhas tristes do nosso passado.
No fim, o que arranha é o não dito.
Se a vontade de soltar um grito
não cala, agora escrevo:
– saudade!
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Conselho
Não perca seu tempo.
Olha, os dias caminham a passos largos
e a vida, apressada em invisíveis ponteiros,
não anuncia quando é fim do mundo
[e se o fizer, será tarde demais]
Veja bem, ignore essas gentes mesquinhas
que não têm coerência
que não têm crítica nem autocrítica
que não têm verdade
que não têm deus.
Pois não adianta vomitar salmos
se o amor não transborda o coração.
Dê adeus.
Desprenda-se,
livre-se de tudo que é atraso de vida.
e lembre-se: os dias seguirão caminhando a passos largos
e o mistério pode ser revelado a qualquer instante,
sem aviso prévio.
Olha, os dias caminham a passos largos
e a vida, apressada em invisíveis ponteiros,
não anuncia quando é fim do mundo
[e se o fizer, será tarde demais]
Veja bem, ignore essas gentes mesquinhas
que não têm coerência
que não têm crítica nem autocrítica
que não têm verdade
que não têm deus.
Pois não adianta vomitar salmos
se o amor não transborda o coração.
Dê adeus.
Desprenda-se,
livre-se de tudo que é atraso de vida.
e lembre-se: os dias seguirão caminhando a passos largos
e o mistério pode ser revelado a qualquer instante,
sem aviso prévio.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Relógio
Eu te espero nos minutos pares,
nos ímpares eu finjo que te esqueço.
E assim vão passando minhas horas mal contadas
nos ímpares eu finjo que te esqueço.
E assim vão passando minhas horas mal contadas
terça-feira, 24 de julho de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
sábado, 19 de maio de 2012
Estrangeira
Ninguém sabe ao certo de onde eu vim.
No meu sotaque misturo pão de queijo e Guanabara
e nessa confusão invento um novo idioma.
Atravesso Rio – Niterói
como quem vai de uma calçada ao outro lado da rua, não me canso.
Meu destino vislumbro além da Serra, do Mar;
ultrapassando os limites do que vale, do meu Vale do Paraíba.
Meu norte é o horizonte do que não conheço
e assim navego combatendo monstros marinhos.
No meu sotaque misturo pão de queijo e Guanabara
e nessa confusão invento um novo idioma.
Atravesso Rio – Niterói
como quem vai de uma calçada ao outro lado da rua, não me canso.
Meu destino vislumbro além da Serra, do Mar;
ultrapassando os limites do que vale, do meu Vale do Paraíba.
Meu norte é o horizonte do que não conheço
e assim navego combatendo monstros marinhos.
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