Se recordar é viver, vivo intensamente
da alvorada ao meio dia
até a última luz do poente.
E mesmo quando fecho os olhos
ao cair no sono
e me entrego a fantasias
descubro ao acordar que vivo de sonhos
daqueles repletos de melancolia.
Consumir-se nessa existência,
nesse estado febril que não passa,
não tem graça
e nem corpo que agüente.
Há lembranças feito corte:
ferida que demora pra cicatrizar.
Se viver é recordar,
assim desse jeito,
prefiro a morte.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
O texto dos meus sonhos
Ultimamente, para mim, tudo parece motivo para um bom texto, mais pelo encantamento do objeto do que pela minha capacidade de escrever bem. Pelo menos eu tento. E isso já é um avanço.
Quase nunca sento em frente ao computador para desenvolver aquele assunto interessante que vinha pensando no ônibus ou na rua. Em casa a preguiça e o peso do trabalho me consomem. Mesmo assim as ideias ficam rodopiando em minha cabeça e a vontade de escrever sobre elas vai ganhando espaço. É tão forte que de vontade vira necessidade e, uma vez não satisfeita, acaba pesando como uma obrigação.
Sinto-me obrigada, então, a escrever sobre o que ainda não escrevi. É como se fosse uma maneira de aquietar as ideias, uma espécie de aviso: “olha, não me esqueci de vocês”.
Tenho anotado na agenda temas que gostaria de explorar. No computador reservo alguns textos pela metade. Todos esperam por um pouco de atenção.
Desejo realmente corresponder a tamanha expectativa, mas, como sempre, deixarei para depois. Dessa vez é o sono que me consome. Boa noite.
Quase nunca sento em frente ao computador para desenvolver aquele assunto interessante que vinha pensando no ônibus ou na rua. Em casa a preguiça e o peso do trabalho me consomem. Mesmo assim as ideias ficam rodopiando em minha cabeça e a vontade de escrever sobre elas vai ganhando espaço. É tão forte que de vontade vira necessidade e, uma vez não satisfeita, acaba pesando como uma obrigação.
Sinto-me obrigada, então, a escrever sobre o que ainda não escrevi. É como se fosse uma maneira de aquietar as ideias, uma espécie de aviso: “olha, não me esqueci de vocês”.
Tenho anotado na agenda temas que gostaria de explorar. No computador reservo alguns textos pela metade. Todos esperam por um pouco de atenção.
Desejo realmente corresponder a tamanha expectativa, mas, como sempre, deixarei para depois. Dessa vez é o sono que me consome. Boa noite.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Camponesa
Da Terra tiro o meu sustento. É nela que apoio toda a minha existência.
Dia após dia, caminho nesse chão trabalhado por aquelas que vieram antes de mim.
Deixo a semente escorregar entre os dedos da minha mão calejada e espero, ansiosa, sinais de vida em cada amanhecer.
Dia após dia, caminho nesse chão trabalhado por aquelas que vieram antes de mim.
Deixo a semente escorregar entre os dedos da minha mão calejada e espero, ansiosa, sinais de vida em cada amanhecer.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
28 anos
Certas datas são comemoradas com toda pompa que a tradição recomenda e por isso serão sempre lembradas: o primeiro ano de vida de uma criança, o baile da debutante, a maioridade e assim sucessivamente. Hoje eu quero falar dos meus 28 anos, pois mesmo sem carregar tradição alguma essa data ficará marcada como uma das comemorações mais bonitas que eu já tive.
A comemoração dos meus 28 anos não foi em salão alugado, não teve dj e convite antecipado. Não, nada disso. Nem eu sabia que seria convidada para os meus 28 anos.
Chega um momento que a gente percebe que todo aniversário é a mesma coisa. Pessoas ligam desejando felicidades, alguns cobram um bolo para cantar “Parabéns pra você”, os mais próximos dão “uma lembrancinha”, os mais distantes cumprimentam por educação e outros até surpreendem pela atenção concedida. Há também aqueles que esquecem completamente e não mandam nem uma mensagem pelo orkut. Entra ano e sai ano, tudo igual. Isso não significa que devemos deixar de comemorar. A questão é: comemorar o quê? Justamente. Essa é a questão.
Quando acordei com 28 anos completos percebi que seria mais um aniversário burocrático. Preparei o espírito para agradecer os muitos parabéns que receberia ao longo do dia. Fiquei um pouco triste por ser uma terça-feira, já que os amigos estariam ocupados e não poderiam comemorar comigo, totalmente compreensível. A família também estava longe.
Almocei um miojo porque não tive tempo de comprar nada especial para o cardápio, e nem ânimo para preparar um prato elaborado depois de passar a manhã inteira na rua resolvendo pendências, num calor insuportável. Mas, afinal de contas, era um dia normal como todos os outros. Não tinha problema comer miojo no aniversário.
Resolvi limpar o quarto e lavar roupas – tarefas normais para um dia normal (quer dizer, só para aqueles que não têm quem as faça no seu lugar, claro!). Depois de tudo feito, um bom banho para relaxar e sentar em frente ao computador para adiantar um ou outro trabalho.
Pois bem.
Alguma coisa começou a mudar no meu dia que passava em branco. Saí do banho e qual a minha grata surpresa? Um apetitoso bolo de chocolate com granulado estava sobre a mesa à minha espera – todinho pra mim! Ao mesmo tempo um cheiro de cachorro-quente pairava no ar enquanto cozinhava na panela. Comi dois cachorros depois de pronto e cantei “parabéns” antes do bolo de chocolate. Fiquei realmente feliz com a comemoração dos meus 28 anos em minha casa, tudo por conta das minhas companheiras de apartamento.
Depois disso, dirigi-me ao computador como havia planejado para o restante da noite. Tudo ia bem até que mais uma pendência bagunçou o meu sossego. Precisava resolver um problema de trabalho com uma amiga, urgentemente. Já estava de pijama e com uma preguiça enorme de sair de casa. Não tinha jeito, tinha que ir. Ela ainda disse:
- Desculpa, eu sei que é seu aniversário...
Tudo bem, não estava fazendo nada de muito importante. Coloquei uma calça e fui. No caminho pensei que talvez fosse uma armadilha para uma festa surpresa – será? Claro que não! Que inocência a minha achar que poderia ser uma coisa dessas! Isso é coisa do tempo da graduação quando ninguém tinha muito o que fazer. Ô, tempo bom! É trabalho, com certeza. A vida está séria e os prazos estão apertados. Além do mais é terça-feira, todo mundo está trabalhando.
Desci do ônibus. Cheguei ao prédio e pedi que avisasse pelo interfone que estava subindo. Lá em cima a porta estava entreaberta me esperando. Bati e entrei sem cerimônia. Tudo estava escuro e silencioso. De repente ouço: “Parabéns pra você...” de novo.
Comi outro cachorro-quente e mais uma fatia de bolo de chocolate, dessa vez um rocambole, na verdade. Conversamos, rimos, trocamos, confidenciamos. E voltei pra casa ainda mais feliz.
Num dia comum, sem planejar coisa alguma que não fosse ficar em casa e cumprir algumas tarefas domésticas, tive duas festas, dois bolos, duas panelas de cachorro-quente, dois “Parabéns pra você” e mais de dois amigos festejando comigo. Foi justamente isso que eu comemorei nos meus 28 anos.
A comemoração dos meus 28 anos não foi em salão alugado, não teve dj e convite antecipado. Não, nada disso. Nem eu sabia que seria convidada para os meus 28 anos.
Chega um momento que a gente percebe que todo aniversário é a mesma coisa. Pessoas ligam desejando felicidades, alguns cobram um bolo para cantar “Parabéns pra você”, os mais próximos dão “uma lembrancinha”, os mais distantes cumprimentam por educação e outros até surpreendem pela atenção concedida. Há também aqueles que esquecem completamente e não mandam nem uma mensagem pelo orkut. Entra ano e sai ano, tudo igual. Isso não significa que devemos deixar de comemorar. A questão é: comemorar o quê? Justamente. Essa é a questão.
Quando acordei com 28 anos completos percebi que seria mais um aniversário burocrático. Preparei o espírito para agradecer os muitos parabéns que receberia ao longo do dia. Fiquei um pouco triste por ser uma terça-feira, já que os amigos estariam ocupados e não poderiam comemorar comigo, totalmente compreensível. A família também estava longe.
Almocei um miojo porque não tive tempo de comprar nada especial para o cardápio, e nem ânimo para preparar um prato elaborado depois de passar a manhã inteira na rua resolvendo pendências, num calor insuportável. Mas, afinal de contas, era um dia normal como todos os outros. Não tinha problema comer miojo no aniversário.
Resolvi limpar o quarto e lavar roupas – tarefas normais para um dia normal (quer dizer, só para aqueles que não têm quem as faça no seu lugar, claro!). Depois de tudo feito, um bom banho para relaxar e sentar em frente ao computador para adiantar um ou outro trabalho.
Pois bem.
Alguma coisa começou a mudar no meu dia que passava em branco. Saí do banho e qual a minha grata surpresa? Um apetitoso bolo de chocolate com granulado estava sobre a mesa à minha espera – todinho pra mim! Ao mesmo tempo um cheiro de cachorro-quente pairava no ar enquanto cozinhava na panela. Comi dois cachorros depois de pronto e cantei “parabéns” antes do bolo de chocolate. Fiquei realmente feliz com a comemoração dos meus 28 anos em minha casa, tudo por conta das minhas companheiras de apartamento.
Depois disso, dirigi-me ao computador como havia planejado para o restante da noite. Tudo ia bem até que mais uma pendência bagunçou o meu sossego. Precisava resolver um problema de trabalho com uma amiga, urgentemente. Já estava de pijama e com uma preguiça enorme de sair de casa. Não tinha jeito, tinha que ir. Ela ainda disse:
- Desculpa, eu sei que é seu aniversário...
Tudo bem, não estava fazendo nada de muito importante. Coloquei uma calça e fui. No caminho pensei que talvez fosse uma armadilha para uma festa surpresa – será? Claro que não! Que inocência a minha achar que poderia ser uma coisa dessas! Isso é coisa do tempo da graduação quando ninguém tinha muito o que fazer. Ô, tempo bom! É trabalho, com certeza. A vida está séria e os prazos estão apertados. Além do mais é terça-feira, todo mundo está trabalhando.
Desci do ônibus. Cheguei ao prédio e pedi que avisasse pelo interfone que estava subindo. Lá em cima a porta estava entreaberta me esperando. Bati e entrei sem cerimônia. Tudo estava escuro e silencioso. De repente ouço: “Parabéns pra você...” de novo.
Comi outro cachorro-quente e mais uma fatia de bolo de chocolate, dessa vez um rocambole, na verdade. Conversamos, rimos, trocamos, confidenciamos. E voltei pra casa ainda mais feliz.
Num dia comum, sem planejar coisa alguma que não fosse ficar em casa e cumprir algumas tarefas domésticas, tive duas festas, dois bolos, duas panelas de cachorro-quente, dois “Parabéns pra você” e mais de dois amigos festejando comigo. Foi justamente isso que eu comemorei nos meus 28 anos.
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