O pombo cisca o farelo de pão
jogado da janela.
Pedestres caminham apáticos
olhando para o chão.
O pombo e o menino dividem a mesma calçada,
o primeiro de passagem,
o outro estendendo a mão.
Pedestres retornam da jornada de trabalho,
exaustos,
sonhando com a vida que leva
o patrão.
Mas feliz é o pombo
que cisca e voa alto,
enquanto o menino, parado,
espera a solução.
Difícil saber quem é mais miserável nesse mundo.
Pedestres julgam o menino
sem ver que a outros alimentam
e ciscam feito pombos
nas mãos de seus patrões.
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