A pá que me foi dada um dia
pra cavar buraco mais fundo na terra
faço dela hoje sagrado cajado
e enterro, em vez de mim,
nomes e memórias.
Não faço mais da terra cova,
senão pra sepultar os restos
de palavra dita.
A terra, divinamente, tudo absorve,
até a podridão que sai das bocas. Vira adubo.
E alimenta a primavera das flores e da minha vida.
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