Você que me rouba de mim e não se entrega
ladrão de meia tigela que espreita na noite,
que toma de assalto um beijo distraído
e foge com medo dos próprios instintos
Arranco de ti confissões sem palavras,
subverto meu ódio e transformo em afago.
Afasto antes que me arrependa do fim
e não te ameaço por pena da tua miséria.
sábado, 5 de novembro de 2016
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Alucinação
O silêncio que enlouquece, um açoite.
Grito seu nome pra dentro de mim.
Passos que seguem outras direções,
agarro assim a lembrança de quando
a lua se fez sol.
Sua imagem surgindo na porta,
miragem no deserto da noite.
Voz que não escuto, distante.
Olhos que não enxergam o fim.
Grito seu nome pra dentro de mim.
Passos que seguem outras direções,
agarro assim a lembrança de quando
a lua se fez sol.
Sua imagem surgindo na porta,
miragem no deserto da noite.
Voz que não escuto, distante.
Olhos que não enxergam o fim.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Ave que canta
Ave que canta no domingo azul
me diga:
será outono, primavera?
Em que momento serei compreendida?
A boca é seca e o peito arde.
O sangue corre enquanto a dor cicatriza.
Ave que canta, me diga:
ainda há vida em alguma parte?
me diga:
será outono, primavera?
Em que momento serei compreendida?
A boca é seca e o peito arde.
O sangue corre enquanto a dor cicatriza.
Ave que canta, me diga:
ainda há vida em alguma parte?
Paralelas
Seguem meus passos por cima da reta.
Um, agora o outro.
Seguem nossas retas paralelas sem encontro.
Um atrás do outro.
Rio, 13/09/2016
Um, agora o outro.
Seguem nossas retas paralelas sem encontro.
Um atrás do outro.
Rio, 13/09/2016
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Partidas
Vazio,
onda que volta
vaga.
Depois da ressaca nenhum grão de areia,
nada fica.
Tudo espuma rasa.
Partida também é chegada
pra quem faz do coração um porto.
Solte o leme rumo ao solstício!
Vai seguro quem segue com mapa.
Mas quem fica,
os olhos marejados ao pé do horizonte,
engrossa com lágrimas o mar da desilusão.
Mergulhe! Beba dessa água!
Esgote a sede que te mata
e volte
pra viver de amor.
onda que volta
vaga.
Depois da ressaca nenhum grão de areia,
nada fica.
Tudo espuma rasa.
Partida também é chegada
pra quem faz do coração um porto.
Solte o leme rumo ao solstício!
Vai seguro quem segue com mapa.
Mas quem fica,
os olhos marejados ao pé do horizonte,
engrossa com lágrimas o mar da desilusão.
Mergulhe! Beba dessa água!
Esgote a sede que te mata
e volte
pra viver de amor.
sábado, 21 de novembro de 2015
Estômago
Aquilo que não digere fica no estômago.
Vira, revira,
vem quase à boca e volta.
Pedaço de memória morta,
carne ainda viva.
Gosto de noite não dormida,
sonho de novas auroras.
Da fruta indigesta não quero a polpa
nem o caroço.
Guardo meu paladar pra jantares sofisticados
com entrada, prato principal e sobremesa.
E, pela manhã,
um café para dois.
Vira, revira,
vem quase à boca e volta.
Pedaço de memória morta,
carne ainda viva.
Gosto de noite não dormida,
sonho de novas auroras.
Da fruta indigesta não quero a polpa
nem o caroço.
Guardo meu paladar pra jantares sofisticados
com entrada, prato principal e sobremesa.
E, pela manhã,
um café para dois.
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