segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Gestos

A mão desliza sobre o rosto de duras feições,
feições que dizem algo que não se pode decifrar,
só mesmo com palavra falada.

A palavra sentida (angústia que carrego no peito)
agarra com garras afiadas a garganta
tão arranhada,
e fica presa num nó;
transmutando-se em voz muda,
calada.

O rosto roça a barba mal aparada
como que implorando:
diga o que não se consegue perguntar!

Os olhos alheios, duas jabuticabas maduras,
permanecem inertes
(e a ideia fixa de ver alguém que quer partir).
Banquete de ilusões sob o frio sereno da madrugada.

Se nada é dito, sobram gestos.
Generosos beijos e carícias de quem ama
e deseja ser amada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário